Amigos & Amores

Será que os amigos são para sempre? E o amores?



Sexta-feira, Novembro 07, 2003

5º Capitulo - O Almoço

Eddie para em frente de seu irmão impedindo sua passagem. Alex olha direto em seus olhos e arregalando a sobrancelha diz:
- Não me diz que você vai ficar ai parado na minha frente?
- Você tem um minuto? - pergunta Eddie.
- Se eu já não quero ficar olhando para a sua cara, como posso querer falar com você? Pode me dar licença?
- Você quer me ouvir?
- O que você quer? - diz Alex.
- Só quero te comunicar que vou apresentar uma pessoa para vocês hoje a noite no jantar e eu gostaria que você estivesse presente.
- Pronto? Já disse tudo o que queria? - encarando Eddie que movimenta a cabeça positivamente - Ótimo, deixe-me passar.
Eddie abre passagem e Alex bate em seu ombro ao passar. Marcos envergonhado passa de cabeça baixa. Ao passar pelo quarto de sua irmã Alex vê a porta entreaberta e lembra-se da conversar que ouviu de madrugada de Junior ao telefone. "Preciso desligar amor, ela está subindo! Beijos". Alex fica parado em frente a porta pensando se Junior seria mesmo capaz de trair sua irmã.
Marcos para na ponta da escada e olha para Alex parado com a mão na maçaneta da porta.
- Alex. Aconteceu alguma coisa? - o mesmo fica parado olhando dentro do quarto - Alex!! Algum problema?
Ele se vira soltando a maçaneta e coloca a mão na cabeça.
- Não... não foi nada... lembrei de uma casa agora.
- O que? - diz Marcos.
- Nada... nada de importante.
Os dois descem a escada para ir falar com Sra. Sarah.

Raphael e Lola saíram do supermercado cheio de sacos de compras. Lola não via a hora de chegar no carro e se desfazer daquele monte de peso.
- Compramos comida para um batalhão - diz Lola.
- É bom que não precisarei mais voltar para cá por esses dias.
Os dois se aproximam do carro.
- Podemos almoçar e depois buscar o Filipe na rodoviária já que estamos por aqui.
Ótima idéia - Raphael coloca os sacos no chão e tira a chave do carro do bolso. Ele abre o porta malas e Lola diz.
- Ai! Não via a hora!! Estava muito pesado! - colocando os sacos dentro do carro.
Raphael bate o porta malas e dá a volta para entrar no carro.
- Aonde vamos comer? - pergunta Lola.
- Têm um restaurante legal três quadras daqui. Podemos ir até lá.
- Façamos isso. - diz Lola.

Dalila chega no escritório da revista em qual trabalha. Ela é uma jornalista de renome. Suas matérias são sempre comentadas. Tem leitores assíduos, o que faz da revista em qual escreve um sucesso. Já na vida familiar Dalila não tem o mesmo sucesso, seu casamento anda de mal a pior. A paixão que tinha quando se casaram já esfriou. O passar dos anos a rotina foi esfriando o relacionamento, mas tentava, aparentemente viver bem. Junior era atencioso mas quando estavam na cama, ela não tinha mais aquele fogo do inicio. Muitas vezes ela se punha a escrever seus artigos a noite para evitar ter um contato mais intimo com seu marido. Estavam casados a nove anos, mas ainda não tinham filhos por opção de ambos.
Havia também uma sombra sobre seu casamento. Há tempos ela tinha visto marcas de batom na camisa do seu marido; ele deu a desculpa que foi numa confraternização da empresa e na hora dos cumprimentos alguém sem querer esbarrou em sua camisa. Notava também que muitas vezes Junior se afastava para atender seu celular, conversando em voz baixa. Houve uma oportunidade em que estavam numa festa seu celular tocou e ele saiu rapidamente, só retornando após 1 hora, com a desculpa que o alarme da concessionária havia disparado. Ela, a muito tempo suspeitava que Junior estava saindo com outra mulher, pois também já não a procurava tantas vezes como outrora. Relacionavam-se sim, mas ambos percebiam que faltava ardor e desejo nesta relação. Talvez Dalila não quisesse investigar mais a fundo, Junior esquecera que era casado com uma jornalista, era comum ela correr atrás de fatos, de comprovações, mas Dalila apenas aceitava o que seu marido respondia sem questionar.
Dalila era cobiçada por muitos homens, ela era uma mulher jovem, muito bonita, com um corpo escultural, pois todas as manhãs ela não dispensava seus exercícios, tanto que montou uma academia em sua casa. Vaidosa, cuidava muito bem do corpo, possuía cabelos longos negros e sedosos que brilham, seus olhos grandes com longos cílios, boca carnuda e bem feita.
Junior admirava sua esposa, sabia da forte impressão que causava quando saiam juntos, notava os olhares masculinos sobre ela.
- Bom dia! - diz Dalila acenando para todo mundo.
- Bom dia Dalila. - sua secretária se aproxima - Separei esses artigos para você dar uma olhada, tem também essas ligações para serem feitas.
- O que mais?
- Aqui está a lista das pessoas que vão te dar depoimentos para sua nova matéria. Deixe me ver...
- Já está confirmada a entrevista com o cirurgião das celebridades? - pergunta Dalila.
- Ah sim! Está sim, segunda a 22:00pm no hotel Hilton Tower.
- Ótimo, a dias tento entrevistá-lo e ele sempre fugindo de mim.
- Foi difícil marcar um dia com ele. - diz a secretária.
- Tire copias desses documentos - Dalila entrega um bloco de documentos para ela - deixe a original na minha mesa e entregue uma para Tyler Durden.
- Pode deixar.
- Bom, só isso! Estou em minha sala. Depois peça por favor para me levarem uma xícara de café. Vou ficar sem almoçar hoje.
- Okay!
Dalila segue em direção a sua sala e é interceptada por Tyler.
- Trouxe os documentos?
- Já sim! As cópias vão ser entregue a você
- Estou indo almoçar agora vamos? - pergunta Tyler.
- Acabei de pedir um café, vou ficar sem almoçar hoje, tenho muito o fazer.
- Então você vai ficar me devendo um almoço.
- Tudo bem. - sorri Dalila para Tyler. - Deixe-me ir... bom almoço.
- Bom trabalho.
Dalila chega em seu escritório, uma sala ampla com paredes de vidro e uma mesa enorme. A vista da cidade era perfeita dali, apenas uma pessoa tinha uma sala semelhante a sua, seu chefe, o Sr. Dick que tinha orgulho de ter em sua companhia Dalila S. Haumann como ele a chamava e como era reconhecida.

Uma das empregadas entra na sala que se encontra Alex e Marcos e diz.
- Sr. Alex, o almoço já está servido.
- Obrigado... vamos Marcos - eles se levantam e vão em direção da sala.
Na ponta da mesa estava Eddie que esperava pelos os dois para começar o almoço. A mesa era grande com lugar para 14 pessoas. Os pratos estavam colocados um de cada lado de Eddie. Alex já não gostou de ter de se sentar ao lado de seu irmão e pede que Marcos se sente em sua frente.
- Pode servir o almoço - diz Eddie para a Sra. Sarah.
- Tem falado com Marianne? - pergunta Alex para Marcos.
- Faz alguns dias que não a vejo.
Os dois conversaram o almoço todo ignorando por completo a presença de Eddie na mesa. Os pratos são retirados e Eddie se levanta bruscamente.
- Você não vai esperar a sobremesa? Mandei fazer o doce que você adora - diz Sra. Sarah para Eddie.
- Fica para outra hora! - Eddie sai da sala inconformado com seu irmão que a quatro anos não via nem trocou uma palavra se quer com ele. Eddie não entendia o por que de toda aquela raiva, aquele ódio de Alex por ele.
- E vocês?! - pergunta Sra. Sarah.
- Pode servir a gente na sala de tv. Vamos voltar para lá. - Alex limpa a boca com guardanapo e se levanta. Marcos faz o mesmo e vai atrás dele.

O tempo passa fazendo com que Lola olhe para o relógio e se espanta com as horas, 15:33pm e diz.
- Não vejo a hora de ver meu gatinho...
Raphael procura uma vaga no estacionamento da rodoviária.
- Ele é um gatinho mesmo! - rindo para Lola.
- Você tem o seu!! - sorri Lola.
- Não acho vaga Lola... corre lá! Vou ficar aqui esperando você... não demore.
Lola abre a porta e corre rodoviária adentro. Lá estava ele, no local marcado. Filipe era loiro, olhos claros, tinha poucas sardas no rosto, era alto, vestia uma blusa pólo cor azul bebe e bermuda preta, estava de mochila nas costa e procurava por Lola.
Filipe a vê procurando-o por todos os lados. Ela estava linda, os cabelos voavam a cada movimento. Lola não demora em avistá-lo e sorri.
Ele abre os braços e espera sua amada chegar ao seu encontro. Os dois se abraçam. Filipe ergue-a no ar dá um rodopio, e beija-a loucamente. Filipe que não via a hora de beijar e de amar Lola.
Lola agarra a mão de seu namorado e puxa-o.
- Vamos!! O Raphael espera no carro!
Os dois saem correndo da rodoviária

postado por: ANDRÉ LUIZ 11:34 PM


4º Capitulo - Mudança De Plano

Junior apanha a mala e seu celular no banco do passageiro e sai do carro. Ele é dono de uma concessionária de carros que herdou de seu pai. A empresa não anda bem financeiramente desde que o mesmo passou a administrar. Além dos concorrentes Junior excedia nos gastos para uso pessoal.
- Bom dia para todos! - cumprimenta colocando a pasta sobre o balcão - Tem alguma ligação para mim Herbeth?
- Senhor ligou uma senhorita querendo confirmar sua presença no restaurante "Balthazar" para hoje a noite. Senhorita... deixe me ver... Rose, isso mesmo Rose. Ela está querendo comprar uma frota de carros. Disse que é pegar ou largar.
- Mas esse restaurante é em Nova York, quase 1 hora de viagem!
- É um pouco longe, mas vale a pena não é senhor? Posso confirmar?
- Pode! Antes, ligue na loja "Tiffany" e me passe uma das vendedoras tudo bem?
- Tudo bem... - Herbeth pega a agenda de telefones - aniversário de casamento senhor?
- Isso... sim! Aniversário de casamento!
- Estou ligando agora mesmo.
- Como foram às vendas ontem após eu ter saído??
- O de sempre senhor... - Herbeth disca o número e aguarda o chamado - está cha... bom dia! Um minuto por favor.
- Pode passar na minha sala. Obrigado.
Junior vai para sua sala e Herbeth olha para um dos vendedores que vem caminhando em direção ao balcão.
- Somente esse ano ele já comemorou dois aniversários de casamento. - tapando com a mão o telefone - Só não sei se foi com a mesma mulher. - ironiza Herbeth.
- Isso ainda vai feder - fala o vendedor.
- Espere um pouco... senhor Junior estou passando a ligação - ele coloca o telefone no gancho e sai para fora do balcão - voltando ao assunto...

Assim que Alex sai da casa da Sra. Celina avista uma pessoa correndo em sua direção gritando seu nome. Era Marcos, um de seus amigos de adolescência. Ele não era muito alto, tinha olhos castanhos claro, cabelo repartido ao meio, vestia um suetter azul e um jeans claro. O seu modo de correr era engraçado, quando garoto, Marcos sempre fora o mais desengonçados da turma, vivia derrubando as coisas e caindo sem motivo algum.
- Cara, quanto tempo - estende a mão para cumprimentá-lo - na hora que minha irmã falou que encontrou você na rua sai correndo para encontrá-lo.
- Estou devendo um autografo para ela. - cumprimentado Marcos - E você? Como tem pasado?
- Ah! Você sabe! Escrevendo bastante, um dos meus artigos foi publicado no jornal da cidade.
- Estou contente por você Marcos - responde Alex tocando no ombro de Marcos.
- Quando você chegou?
- Ontem de madrugada.
- Então vamos dar uma volta, rever a cidade.
- Agora não é momento certo. Não do modo que estou.
Marcos coloca a mão na cabeça e exclama - Shiiii!! Esqueci que você é uma celebridade agora.
- Não tem problema. E sua família? Encontrei seu "padrasto" hoje. A quanto tempo sua mãe...
- Pois é Alex... - Marcos fica sem jeito de contar.
- Vamos para minha casa - os dois vãos caminhando lentamente em direção da casa de Alex - se você não quiser me contar não tem problema.
- Não é isso Alex. É uma historia muito longa. Essa rua teve assunto por um ano todo... - os dois riem - minha mãe não estava separada de meu pai quando engravidou de minha irmã.
- Fiquei sem entender... Ariel não é filha do sr. Wilson com sua mãe??
- Deixe-me terminar de contar. Bom, meu pai estava crente que a criança que minha mãe esperava era dele, ele fez planos, escolheu nomes, enfim... minha mãe jogou uma "bomba" em nosso telhado dizendo que a filha não era dele.
- Nossa Marcos que história! - fala Alex.
- Meu pai ficou transtornado, ficou agressivo, bateu em minha mãe. Foi uma loucura! A rua toda ficou sabendo. Meu pai era apontado toda vez que saia na rua. Ele só não sabia se era por ter batido na minha mãe ou se era por ser o novo corno da cidade.
Alex solta um riso sem querer.
- Desculpe Marcos... continue.
- Meu pai se separou da minha mãe e está morando em outra cidade. Hoje ele tem um nova família, não me liga com freqüência, mas já fui visitá-lo e conheci sua nova esposa e seus filhos. Mas o pior estava por vir... em menos de um mês minha mãe trás o amante para viver conosco. Nem respeitou a saída de meu pai. Apesar da cidade inteira já saber.
- Você pode escrever sobre o assunto agora - sorri Alex - bom, chegamos em casa... você pode colocar bem assim na manchete... "Um estranho no meu ninho"!!! - os dois dão risada - Ou pode ser "Quem vai ficar com mamãe?" - ironizando o filme "Quem Vai Ficar Com Mary".
Alex sempre foi muito brincalhão com os amigos, era difícil perder o senso de humor. Por este motivo era o mais querido do grupo dos garotos. Marcos sempre foi o mais estudioso, vivia com a cara nos livros e adorava viajar nas histórias que escrevia. Cada um no grupo tinha sua característica marcante fazendo deste grupo único. Se um deles não estivesse presente é que alguma coisa de grave acontecera. Alex, Lola, Marcos, Marianne e Raphael eram amigos inseparáveis, mas os anos separaram alguns deles e os encontros dos outros não era mais o mesmo.
Assim que Alex e Marcos entraram na casa Sra. Sarah perguntou - Posso ser útil em alguma coisa?
- Não Sarah. Obrigado. - Alex para novamente na escada com o chamado a Sra. Sarah.
- Filho, seu irmão pediu que fizéssemos a comida que ele gosta! Você quer algo especial?
Alex olha para Marcos e pergunta - Você tem algo para fazer hoje a tarde?
- Não, só a noite que tenho um encontro.
- Faça somente o que meu irmão pediu, vou sair com o Marcos comprar umas coisas que esqueci e volto a noite somente. Diga para Dalila não me esperar para o jantar.
Os dois continuam a subir a escada.
- Você vai ter um encontro hoje! - se entusiasma Alex - Quem é a felizarda?
- Minha vizinha!
- Quem diria, Marcos Keating namorando?!?! Viu como é bom tirar a cara dos livros de vez em quando.
Marcos sorri e entra no quarto de Alex.
- Deixe-me ver... - Alex coça a cabeça - o que vim pegar aqui?
- Se você não sabe imagine eu!
Um barulho estranho dispara dentro do quarto fazendo com que Alex revire todas as malas.
- Me ajuda Marcos... não acho o celular.
O volume do celular aumenta e Alex começa a procurar dentro das malas. Apontando para Marcos
- Mas que droga!! Cadê esse telefone?
Marcos abre uma das malas e vê o telefone.
- Tome está aqui! - entregando para Alex
- Alo!! - diz Alex.
- Alex!! Até quem enfim te encontrei! - era Daniel falando ansiosamente.
- Mudança de planos...
- Como assim "mudança de planos"? - responde Alex já irritado.
- Fique calmo Alex!! É apenas por um dia...
- O que vou ter que fazer? Fala logo!!
- Você sabe... o filme está em baixa, tiveram vários lançamentos esperados junto com o seu filme.
- Não começa Daniel... a culpa não é minha, no contrato caso você o leu antes de mim dizia "uma coletiva e nenhuma entrevista extra". - Alex tapa o celular com mão e diz em voz baixa para Marcos - meu mananger...
- Ah sim!! - Marcos afirma com a cabeça.
- É para o Jr.Crow. Você não vai falar apenas do seu último filme. Vai falar da indicação ao Oscar, e do Globo de Ouro que você ganhou, é uma ótima promoção de qualquer forma para "Love Me For Me".
- Quando é? - pergunta Alex.
- Agendei tudo para segunda feira...
- Tudo o que?? Daniel... estou de férias!! Mas que droga! - se irrita Alex.
- É apenas um dia, você já está acostumado! As 15:30pm você já deve estar no "The Waldorf Astoria" seu quarto já está reservado. - Daniel começa a falar rápido - As 16:00pm chegam as roupas que você vai experimentar para as fotos, 16:30pm chega o maquiador e as 17:00pm você começa a sessão de fotos para a revista na suíte presidencial do hotel. 18:00pm uma parada para o lanche, 18:30pm mais uma seleção de roupa, as 19:00pm a limusine te pega na porta do hotel.
- Daniel... mas que por que tudo isso? - pergunta Alex.
- Posso continuar? Você deve chegar no hotel "Hilton & Towers" em torno das 19:40. Três minutos de autografo e cinco minutos para as fotos da entrevista. As 20:00 começa a entrevista e é servido o jantar.
- Quantos minutos de entrevista? - diz Alex.
- Uma hora!
- Você já sabe sobre o cachê?
- Meio milhão de dollares. - diz Daniel.
- Está ótimo.
- Mais uma coisa...
- Mais o que Daniel?
- Você precisa assinar uns contratos na Warner Bros Corp.
- A gente vê isso então na segunda okay? Mais alguma coisa?
- Não Alex, nos vemos daqui a 2 dias. Tchau!
Alex desliga o celular jogando-o em cima da cama.
- E agora Marcos? Vamos fazer o que? Eu estava pensando em voltar para Nova York mas como vou ter que estar lá na segunda nem adianta irmos hoje.
- Mas o que íamos fazer lá? - pergunta Marcos.
- Queria passar na Bloomingdale's, você acredita que não comprei nada para ninguém?
- Que é isso Alex? Não precisa de nada não! - Marcos apanha o celular de Alex em cima da cama - Celular maneiro esse seu!
- Não gosto muito não, ele te deixa o tempo todo acessível. Tem dia que tenho vontade de desligar e não ligar mais. - Alex tira a jaqueta de couro e coloca no guarda-roupa - Como é bom não ter o que fazer em plena sexta feira!!
Marcos sorri dizendo - Eu sei o que é isso!
- Faz um tempinho que não sei mais o que é isso amigo. Bom, vamos descer vou pedir para Sra. Sarah fazer algo já que vamos ficar por aqui mesmo.
Marcos coloca o celular em cima da cama e segue Alex. Os dois ao saírem do quarto dão de frente com Eddie...

postado por: ANDRÉ LUIZ 11:33 PM


3º Capitulo - Encontro e Desencontro

- Estou entrando!? - Lola coloca sua cabeça para dentro da casa e espia se tem alguém por perto. - Tem alguém em casa?
A porta de entrada ficava logo em frente a uma escadaria revestida com um tapete vermelho. À direita descendo um degrau encontrava-se um sofá azul de 2 lugares de frente para 2 poltronas do lado da lareira que em cima tinha fotos da família. Uma família pequena, um casal e seu único filho, Raphael, rapaz robusto, pele clara com grandes e profundos olhos castanhos. Não era muito alto, mas o que chamava a atenção na foto era o sorriso contagiante. O filho dos pais nada lembrava, apenas na cor da pele. Eles eram louros e altos, a típica família americana. Perto da lareira havia um simples bar com algumas garrafas de vinho e meia dúzia de taças. A entrada para a sala de jantar ficava logo ao lado com um peso em formato de estrela segurando a porta.
- Estou descendo! - Raphael joga o corpo no para-peito da escada para ver Lola - Procura a chave do carro para mim por favor, deixei na cozinha não sei aonde.
- Não demore! - Lola caminha rapidamente para a cozinha e logo vê a chave em cima da mesa da copa. Ela volta para a sala e Raphael já está descendo a escada.
- Vamos? - Raphael vestia um jeans cortado na coxa e uma blusa azul marinho com o numero sete estampado nas costas. Ele pega a chave da mão de Lola e fecha a casa.
- Quem me dera ter a casa só para mim durante 3 meses! - colocando a mão no ombro dele - Por que minha mãe não acompanhou a sua para Londres. Ah! Que droga!
- Mmmm - Raphael sorri - talvez sua mãe queira cuidar melhor de sua pequena filha.
Lola empurra-o com os ombros e corre para o carro.
- Você é bobo mesmo, - Raphael entra sorrindo no carro - vamos rápido pois tenho que voltar cedo. Depois tenho que buscar o Filipe na rodoviária.
- Não vamos demorar só preciso comprar algumas coisas que faltam para o jantar. - Raphael dá partida com o carro e sai. - Podemos comprar Häggen Däzz para sobremesa?
- Boa idéia! - Lola acena para a criança que está passando na rua com um cachorro pequeno peludo junto com seu pai. - Bom dia Sr. Wilson! Bom dia pequena Ariel.
- Lola estou passeando com o Poppy hoje, olha aqui, olha ele aqui - a menina diz eufórica sem parar de sorrir.
- Estou vendo Ariel, byee!! - Coloca os braços para fora do carro dando tchau.
- Papai o Poppy está andando muito rápido - a menina olha para cima sorrindo para o pai.
- Você que é muito pequena filha, você não agüenta levar o Poppy.
O cachorro realmente corria na frente parecendo nunca ter caminhado pela calçada que já era de costume puxando um dos braços da menina enquanto o outro era seguro pelo seu pai. De repente a menina se solta da mão do pai e aponta.
- Olha papai, olha lá! - Sr. Wilson mira seus olhos aonde sua filha aponta - Não é aquele moço da TV? Não é papai aquele moço que passa na televisão?
Alex avista a menina sendo puxada pelo cachorro e apontando para ele. Ele atravessa a rua e vai a direção dela.
- Mas que menininha bonitinha. Esse é seu cachorro? - ele se agacha e passa a mão no rosto da criança - Qual é o nome dele?
- Poppy! O nome do cachorro é Poppy e eu não sou menininha sou uma garota! Eu já sou grande, já levo o meu cachorro para passear.
Alex se levanta e olha para o pai.
- Garota esperta sua filha... - Alex olha para Sr. Wilson tentando reconhecê-lo, mas não se lembra. - quantos anos ela tem?
- Três anos... - ele segura a mão da filha novamente - ela realmente é muito esperta para a idade dela.
- Papai ele é de verdade! Pede um autografo. - Alex se agacha novamente. - Pede papai!! Vamos, pede!!
- Qual é o seu nome? - o cachorro puxa a garota novamente para árvore que está a frente.
- Ariel - responde Sr. Wilson - querida, deixe-me levar o Poppy agora, ele vai acabar te machucando - Sr. Wilson tira a coleira que está presa no pulso da menina.
- Eu não tenho papel aqui Ariel, você tem papel?
- Papel só no meu caderno de desenho que meu papai me deu no natal.
- Então vamos fazer assim, eu moro bem ali, está vendo aquela casa com uma fonte de anjos bem na frente? - Alex aponta para a garotinha - Hoje a tarde você passa lá e eu te dou uma foto minha autografada, tudo bem assim?
Ariel inclina a cabeça olhando para seu pai esperando um gesto confirmando o pedido.
- Podemos papai? Eu e o Poppy podemos pegar a foto mais tarde? - a garotinha começa a pular eufórica - Podemos?!?!
- Não tem problema... - Sr. Wilson leva uma das mãos a cabeça tentando lembrar o nome de Alex - ... desculpe-me, esqueci seu nome.
- Alex. - estendendo a mão para cumprimentá-lo - Prazer.
- Não iria te incomodar? Tem certeza?
- Muito pelo contrario... infelizmente preciso ir agora, vou visitar alguns amigos que moram aqui na rua.
- Você vai visitar a gente? Moramos aqui também - ela aponta na direção contraria de Alex que se vira para ver a casa - na casa amarela. A nossa casa é a amarela!!
- Lá morava um amigo meu o Marcos. - Alex retorna o olhar para os dois - Que pena ele se mudou.
- O meu irmão! - exclama a menina.
- Ué!? Fiquei sem entender agora. - Alex olha confuso para Sr. Wilson.
- Eu sou o novo marido de Marianne, tivemos Ariel juntos....
- Agora está explicado! É que faz quatro anos que não volto para casa... ando meio que por fora das coisas. Você me entende?
- Perfeitamente.
- Preciso ir! Foi um prazer conhecê-lo Sr. Wilson. E você Ariel... espero você na minha casa hoje a tarde, traga o seu irmão contigo.
- Eu vou levar o Poppy também.
Alex sorri para a garotinha e aperta a mão novamente de Sr.Wilson.
- Tenham um bom dia. - Alex atravessa a rua e continua o caminho que estava fazendo.
O caminho não era longo para Alex, pois a casa de sua amiga Lola era apenas cinco casas depois da sua. As casas não tinham diferença a não ser pela cor, todas tinham o gramado aparado, os arbustos cortados as janelas com cortina. Algumas com cortinas cafonas que fazia Alex lembrar que tinha feito o melhor saindo daquela pequena cidade, daquela rua.
Alex parou de frente a uma porta branca e deu dois toques na campainha. Ele não via hora de rever sua melhor amiga, de abraçar e contar as novidades e saber tudo o que aconteceu na cidade enquanto estava fora. Do lado de fora se ouvia o andar pelo assoalho. Uma voz baixa se ouvia.
- Só mais um minuto - pelo assoalho percebia que a pessoa se afastava da porta.
Alex arruma a gola da blusa, passa a mão no cabelo depois solta os braços relaxando e respira fundo. O som do sapato batendo no assoalho volta a aumenta.
- A chave... eu não achava a chave - a porta se abre - o que você deseja garoto? É o segundo rapaz que vêm me pedir para contar a grama.
Ela escancara a porta e empurra Alex para frente da casa e apontando para o gramado.
-Tá vendo?! Não precisa ser aparada. Eu mesmo corto a grama de minha casa. Não preciso de nenhum garoto para fazer isso. Eu e minha filha não precisamos de homem nenhum!! - grita a Sra no final.
- Mas...
- Não bata mais na minha porta entendeu?
- Tia Celina? Sou eu!
Ela olha para o Alex reconhecendo-o.
- Ai meu Deus... Alex!! - ela começa a rir sem parar - Nunca imaginei que seria você.
- Pois é!! Sou eu seu cortador de gramas! - Alex começa a rir sem parar também.
- Venha, vamos entrar!
Na casa aparentemente nada mudou, apenas alguns moveis mudados de lugar. Mas Alex ansiara por mudança, ele queria que tudo tivesse mudado assim como ele. Que as casas mudassem, que as pessoas mudassem. Algo para ofuscar sua volta. Algo novo, algo surpreendente. Mas Alex não andou muito para achar mudanças ainda. Talvez não encontrasse nas fachadas das casas e sim dentro delas, mas não nos moveis e sim nas pessoas que nela habitavam.
O assoalho rangia a cada passo que Alex dava adentro da casa, o barulho fazia o lembrar de quando criança correndo atrás de Lola e Sra. Celina gritando por silêncio. "Parem vocês dois!!", "Estou ficando louca!!".
- Sente-se meu filho, vou lhe trazer um copo de limonada.
- Não precisa! - Alex se senta no sofá marrom de frente para a Tv. - Acabei de tomar café da manhã. Não se incomode comigo.
Sra. Celina dá meia volta e vai para o pé da escada e grita "Filha, desça até aqui!! Venha ver quem chegou!". Ela volta para a sala e senta no sofá em frente a Alex.
- Meu filho me conte como é ficar do lado de todas aquelas celebridades. - ela tira o avental da cintura colocando ao seu lado - você pode me apresentar para elas um dia?
Alex sorri para ela e responde ironicamente - Elas adorariam conhecer você - ouve-se o barulho de passos na escada e uma voz ríspida soa no ambiente.
- Que está ai mamãe?! Não é nenhum de seus namorados novos nê? - Alex se levanta olhando para a escada a espera de sua amiga.
- Venha ver Ivana!! - responde Sra. Celina.
Alex olha com cara de espanto para Sra. Celina e indaga - A Lola não está? - neste momento Ivana chega na sala e com olhar de despeito olha para Alex.
- É você?! - Ivana se senta em uma poltrona com um dos pés sobre o braço do estofado. Ivana tem cabelos castanhos claro e curtos, seus olhos não chamam atenção como os de sua irmão Lola, ela veste uma blusa preta com desenho de caveira, calça de couro preta e tem um piercing no nariz e uns braceletes estranhos no braço. A imagem de Ivana surpreendeu Alex.
- Tudo bem com você? - pergunta Alex.
- Comigo está tudo bem, não saí dessa merda de cidade então estou na mesma, agora para você ter voltado de onde você estava sua vida deve estar um saco mesmo!
- Menina, olha como você fala! - encarando feio sua filha - E tire a perna do braço do sofá!
Alex fica meio desconfortável com a situação e senta novamente.
- A Lola não está? - pergunta ele novamente.
- Ela saiu com aquele mariquinha da casa da frente. - responde Ivana.
- O Raphael?!
- "Ela" mesmo! - Ivana gesticula com os ombros.
- Mas ela não deve demorar filho, enquanto ela não chega em conte sobre as celebridades.
- Sra. Celina o papo está ótimo mas preciso ser breve. Vim apenas para dar um "oi".
- Não precisa ter pressa, você não vai encontrar nenhum fotografo aqui nessa cidade. Nem as moscas de outra cidade vêm para cá.
- Bom, mas de qualquer forma preciso ir.
Alex desde pequeno não se dava muito bem com Ivana, ela sempre o xingava e o maltratava quando ele e Lola brincavam juntos. Ele também, sem que a irmã de Ivana soubesse, beliscava e empurrava ela que ao cair chorava sem parar e dizia "Foi ele!! Foi ele quem me empurrou!!", todos duvidavam e achavam que era manha dela para chamar atenção. Os anos passaram e essa rixa não mudou. Hoje eles apenas se suportam.
Ivana também tem problemas de relacionamento com sua irmã. Lola sempre foi a mais bonita e a mais querida, todos os meninos sempre a procuravam. Quando as duas saiam, Lola era a que mais chamava atenção por onde passava ofuscando sempre a irmã. Por isso Ivana tem ciúmes da irmã e trata mal a todas as pessoas que fica em sua volta.
- Fica mais um pouco - fala Sra. Celina.
- Muito obrigado, mais tarde eu volto para falar com Lola, - Alex vai indo a direção da porta - se ela chegar não digam que estou aqui, quero fazer surpresa tudo bem?
- Tudo bem meu filho... - Sra. Celina abre a porta - até mais.
- Obrigado, até mais. - Alex se despede.
Sra. Celina fecha a porta e cruza com a filha que está voltando para seu quarto.
- Se eu soubesse que fosse ele eu não tinha descido!! - diz encarando a mãe.
Ao caminho do supermercado Lola liga o radio do carro e sintoniza na primeira música que ouve.
"Open your heart to me, baby
I hold the lock and you hold the key
Open your heart to me, darlin'
I'll give you love if you, you turn the key"
Raphael olha para Lola e os dois começam a cantar!
- Open your heart with the key - Lola aponta para Raphael.
"Open your heart, I'll make you love me¿ It's not that hard, if you just turn the key"
"Z One Hundred Fm!! Essa foi das antigas!! Madonna com "Open Your Heart"! Agora direto de nossa redação o nosso jornalista Jr. Crow com a novidades do showbizz."
"O mundo das celebridades está pegando fogo! O ganhador do Globo de Ouro, Alex Stritch, que está nas telas com "Love Me For Me' não está colhendo os frutos desejados. O Filme está sendo seu primeiro fiasco em bilheteria. Desde sua estréia com "The House" ele vem sido aclamado desde então, foi protagonista de dois curta infantil e ganhou o Golden Glob e está concorrendo ao Oscar como melhor ator este ano com sua atuação em "BreakDown". Sua assessora de imprensa diz que o filme não está tendo o sucesso esperado pela má divulgação, mas que o novo triller não deixa de ser um bom divertimento. Alex que se encontra em um "retiro espiritual" vai ficar afastado das telas por alguns meses. Já a diva Sharon Stone....."
Raphael desliga o radio bruscamente.
- O que foi isso Raphael?! Vamos ouvir o resto das noticias - Lola fica olhando para Raphael - O que!? Você ainda sente algo pelo Alex?!
- Não! Claro que não! Eu amo o Diogo - Raphael perde o controle do carro - é que...
- Sua reação diz ao contrario. Você já devia ter esquecido, já se passaram quatro anos. Só temos que torcer para ele agora. Ele vive em outro mundo.
- Eu sei! Já sei de tudo isso. Que tal mudarmos de assunto?
Lola liga o radio novamente e pergunta - Que horas o Diogo chega?
- Antes das 6 horas, temos muito tempo - ele sorri para Lola - estamos chegando!
Lola volta a cantarolar a música do radio.

postado por: ANDRÉ LUIZ 11:32 PM


2º Capitulo - O Novo Dia

Alex dormia profundamente quando ouviu o bater na porta, um bater suave, por de trás estava Sra. Sarah, a governanta da família desde a época de seus pais. Sra. Sarah sempre foi de extrema confiança, tanto que continuava na casa após a tragédia a pedido dos três irmãos e seus tios. Ela não aparentava ter a idade que os anos lhe deram. Em seus 53 anos Sra. Sarah trabalhava com a família desde garota quando sua mãe era a governanta dos avós dos Stritchs. Ela cuidou dos três como se fossem os filhos que nunca tivera.
- Pode entrar! - exclama Alex colocando o travesseiro sobre a cabeça para não ver a claridade.
Sra. Sarah entra no quarto e abre as cortinas, iluminando todo o quarto.
- Ah não!! Fecha essas cortinas!! - apertando mais o travesseiro sobre a cabeça - Eu quero dormir!
- Já está na hora do café.
- Mama?! - tirando o travesseiro da cabeça.
Alex pula da cama de uma só vez e corre em direção da Sra. Sarah que já se encontrava com os braços abertos esperando pelo abraço.
- Quanta saudade! - Alex abraça Sra. Sarah e com a mão em seu rosto limpa uma lagrima que escorreu - Senti muita a sua falta.
- Mas você está ótimo! - Sra. Sarah leva as duas mãos ao rosto de Alex - Como você cresceu.
Alex olha para baixo parecendo estar envergonhado.
- Fiquei muito orgulhosa de você. Acompanhei cada passo seu pela Tv ou pelas revistas. Mas por que você não deu nenhum telefonema querido? - Alex se esquiva - Estive preocupada, todos os dias a mesma pergunta eu fazia para D. Dalila, "seu irmão ligou" e sempre um gesto negativo feito com a cabeça eu via. Porque? Por que você não ligou?
- Estava muito excitado com tudo que estava acontecendo - Alex vai andando para o banheiro - o começo, confesso, foi muito dolorido, muita saudade eu senti, mas precisava me manter forte para não correr para casa no primeiro sufoco que passasse.
Alex liga o chuveiro e se despi com a porta entre aberta para ouvir a Sra. Sarah.
- Tenho todos os recortes e capas de revista que você está presente. Seus pais se orgulhariam de você - Sra. Sarah pega o lençol que está no chão e começa a forrar a cama - assim como estou orgulhosa. Bom, sua irmã acordou cedo como sempre, já fez sua ginástica matinal e está te esperando na copa para tomar o desjejum. Seu quarto já está pronto, o motorista subiu suas malas e a empregada arrumou tudo em seu devido lugar.
- Falando nisso, trouxe umas coisas para você - exclamou Alex de dentro da ducha - espero que você goste.
- Não precisava se incomodar, com certeza irei gostar. - Sra. Sarah arruma o travesseiro na cama já pronta.
- Mama?! Você já pode descer e avisar minha irmã que já estou indo - Alex sai do banho com a toalha amarrada na cintura.
- Não precisa de mais nada? - Sra. Sarah estende a mão entregando-lhe o roupão branco.
- Não, obrigado. - Alex veste o roupão e vai para o seu quarto vestir a roupa.
Ao abrir a porta Alex se depara com a mesma imagem que deixou a quatro anos atrás, estava tudo no seu devido lugar assim como a Sra. Sarah havia informado, no mural as fotos dos amigos, dos cachorros e seus parentes. O guarda-roupa refletia a luz que vinha da janela. Estava tudo limpo, arrumado. No criado mudo estava o porta retrato de seus pais do mesmo jeito que ele havia deixado do lado da foto de Raphael, seu amigo de infância.
Alex vai para a janela e vê a fonte que fica na entrada da casa com os dois anjos que jorram água pelas flautas. Estava tudo do mesmo modo que ele deixou. Até a rua parecia não ter mudado em nada, nas casas vizinhas até a as cortinas eram as mesmas. A casa da família Stritch era a ultima da rua sem saída e a maior de todas. As casas vizinhas, todas muito parecidas, só tinha de diferente as cores da parede e os carros na garagem. A fonte da entrada da casa marcava o final da rua e abria para um portão branco com rosas vermelhas no canteiro.
Cinco casas na frente morava Raphael e de frente morava Lola, amiga inseparável de Alex que não via a hora de reencontrar os amigos novamente.
- Tudo está do jeito que deixei. Fiz bem sair daqui. - fala Alex consigo mesmo saindo da janela.
No andar de baixo Sra. Sarah coloca um copo a mais na mesa e diz: A casa está cheia novamente!
- Estou muito contente com isso Sra. Sarah. - fala Dalila.
- Só tem eu a mais nessa casa Sarah - diz Eddie.
Sra. Sarah olha para Dalila e ela retribui com uma piscada.
- Bom, dia para todos! Bom dia amor. - Junior entra na cozinha e logo beija Dalila no rosto - Sra. Sarah meu suco já está pronto?
- Está sim Sr. Junior. - Sra. Sarah leva o copo sobre a mesa.
- Bom dia para to... - Alex para na porta quando vê seu irmão Eddie colocando o copo de café na boca.
- Alex? - Eddie se levanta colocando o copo sobre a mesa e caminha ao encontro de seu irmão. - Oh meu Deus! E você Alex?
Eddie abraça forte seu irmão e deixa escorrer as lagrimas da saudade. Parecia que o abraço era de despedida, Alex olhava para Dalila enquanto seu irmão o abraçava e exclama o seu sumiço por tanto tempo.
- Não faça isso com a gente de novo - se separando de Alex e o abraçando novamente - sofri demais. É como se tivessem me tirado um braço. Nunca mais faça isso.
- Eu não fugi! E eu não estou de volta definitivamente! - exclama Alex saindo do forte abraço que seu irmão continuava a dar - Estou de folga. Férias! Isso, férias!! Em breve volto para minha casa.
Eddie volta para seu assento e puxa a cadeira do lado dizendo: sente-se aqui, me conte sobre o que fez todo esse tempo.
- Nada tenho para contar. Estou bem aqui! Só vou tomar um copo de suco e vou para a casa de meus amigos.
- Alex, sente-se e tome o café conosco. Temos muito que conversar. - fala Dalila.
Junior levanta da cadeira pegando sua pasta em cima do balcão e segue em direção da porta.
- Bom amor, vou trabalhar. A noite você me conta sobre a conversa que tiveram sobre o retorno de Jedi! - Junior sai rindo batendo a porta.
- Engraçadinho. - ironiza Alex.
Sra. Sarah coloca o suco de Alex sobre a mesa farta de frios, pãezinhos doces, croissant e vários tipos de bolachas. Eddie continua a bater na cadeira sinalizando para Alex sentar ao seu lado. Depois de muito insistir Alex acaba sentando.
Do lado de fora ao entrar no carro Junior apanha o celular e liga para um numero já memorizado e aguarda, liga o carro e sai de ré lentamente.
- Alô?
A voz do outro lado da linha era sedutora, parecia esperar por aquela ligação há horas. Se possível dormira do lado do telefone para atender no primeiro som que ele emitisse.
- Como você está princesa? Mal consegui dormir essa noite pensando em você.
- Sua esposa não deve ter agüentado você se mexendo na cama não é?
- Não precisamos falar nela... espere um pouco - Eddie sai da garagem parando o carro ao lado da fonte - quero saber como você dormiu hoje?
- Não muito bem, a cama estava vazia.
- Mas hoje ela estará cheia, cheia de amor, cheia de nós dois.
- Não vejo a hora da lua aparecer na minha janela. O que você vai me trazer hoje? Comprou o que lhe pedi?
- Ainda não meu amor, custa muito caro, só poderia dar em alguma data especial - ligando o carro novamente indaga Junior - tem algum problema?
- Claro que não, mas eu não demonstro meu amor por você apenas em datas especiais e sim em todas as noites que dormimos juntos.
- Eu sei, eu sei! Ta bom! Levarei seu colar hoje à noite, mas vista aquela roupa que me deixa louco de te querer mais e mais.
- Não quero mais! Quero ganhar por amor, não por estar cobrando...
- Não, não é por você está cobrando é a prova do amor que tenho por você...
- Não se esqueça, aquele com as sete pedras. Ah! Não vejo a hora dele estar em meu pescoço.
- Preciso trabalhar Rose - saindo com o carro lentamente - a noite nos veremos.
- Bom trabalho! Aguardo-te ansiosa. Beijos.
Junior desliga o celular e segue em frente avistando Lola atravessando a rua. Lola era jovem tinha a idade de Alex, 22 anos. Os cabelos voavam com o vento parecendo o raiar do sol, eram louros e longos. Seus olhos azuis deixava qualquer rapaz planando naquele azul imenso. Junior não precisava ser um rapaz de poucos anos para planar também em seu olhar.
- Como você está Lola? - conduz o carro lentamente - Para aonde vamos com toda essa produção?
- Bom dia Sr. Junior...
- Não precisa do Sr! - Junior mira para os estonteantes olhos azuis de Lola.
- Estou indo para a casa de Raphael, ele precisa de uma ajuda na cozinha. Seu namorado vira jantar hoje conosco.
- Ouh! Namorado?? - Junior se espanta com a sutileza de Lola.
- Sim, você já o conhece. Não precisa fazer essa cara de espanto!
- Sei!? E você vai estar sozinha com eles dois? Precisa de companhia?
- Vou estar sozinha, que pena. Mas se você quiser aparecer, você e sua esposa podem vir jantar conosco - alfineta Lola deixando Junior em seu devido lugar.
- Ah sim! Claro! Se a Dalila quiser aparecer topamos jantar com vocês. Não confirmo nada. Mas quem sabe? - Junior liga o carro novamente e ouve o celular tocando. - Bom, preciso ir. O trabalho me chama!
- Bom trabalho Sr.Junior.
- Hoje você vai ter uma surpresa! Tchau!
Lola fica parada no meio da rua e vê o carro de Junior acelerando cada vez mais, se vira e corre para a casa de Raphael sem entender o final da frase de Junior.
- Alo?!
- Estava com saudade tchuchuco. Queria ouvir sua voz de novo. - Junior solta um sorriso de uma ponta a outra - Já foi buscar o colar!??!

postado por: ANDRÉ LUIZ 11:31 PM


1º Capitulo - O Retorno

- Para com isso Junior! - o som ouvia-se desde do primeiro degrau da escada e aumentava junto com as risadas do casal - Hoje eu não quero nada!!
- Toda à noite o mesmo papo! Lá vem você de novo?
- Tenho trabalho para fazer, você sabe, preciso entregar esse artigo para a revista antes do fim de semana.
- Vou ficar te esperando na cama tudo bem? Não demore.
Dalila soltou um singelo sorriso e soltou um beijo para seu marido. A noite caia e estava chegando em torno da meia-noite quando um barulho na escada fez com que Dalila se levantasse da cadeira.
- Junior.... - sussurrou Dalila - tem alguém na casa.
- Como querida?? O que você disse??
- Tem alguém na casa , você está surdo?
- Deve ser um dos empregados.
- Essa hora da noite? Vou ver.
Junior levantou da cama, calçou os pés com o chinelo que estava ao lado, pegou o roupão que estava no pé da cama e se vestiu em direção a porta. O som na escada aumentava cada vez mais. Dalila vê um vulto passar entre a porta e gesticula com a mão para que Junior volte para trás. Dalila sempre foi mais corajosa que seu marido. Junior até medo de barata tinha. As atitudes sempre foram tomadas por Dalila e seu marido apenas concordava com um gesto positivo feito com a cabeça.
Dalila esticara seu braço para pegar o abajur caso o vulto entrasse no quarto adentro, o objeto mais próximo que tinha em seu alcance. De repente a porta range e o vulto entra dentro do quarto e um grito se ouve.
- Hello!!
Junior com o susto bate com o calcanhar na quina da cama e cai por de trás da mesma. Dalila tem um misto de reação em seu rosto, de espanto seus olhos brilham e um grande sorriso salta de seu rosto.
- Não acredito!!
- Que saudade!
Os dois se abraçam e pulam juntos de alegria.
- Você quase mata a gente de susto. Eu pensei que era um assaltante dentro da casa.
- Como um assaltante iria entrar dentro desta casa com todas essas câmaras na parede. Deixe-me ajudar Junior a se levantar.
Os dois se separam e ele vai em direção de Junior que está sentado com os braços sobre a cama.
- Poxa! Não é que quase matei vocês de susto mesmo - ele estende a mão para ajudar Junior a se levantar e se abraçam.
- Junior você é muito mole - ele olha para a irmã e diz - quando você vai arrumar um homem de verdade? Se sentem na cama, vamos conversar. Poxa, quanto tempo!
- Mas o que você faz aqui Alex? Quando li na revista que você faria uma pausa de 6 meses dos filmes, eu pensei que você viajaria... fosse conhecer cidades novas. Curtir, você sabe?
Dalila senta do lado de seu marido na cama enquanto Alex senta no pé da cama de frente para eles.
- Não via a hora de chegar em casa! Depois você tem que pedir para os empregados tirarem as malas do carro.
- Mas a imprensa sabe que você está aqui? - pergunta Junior
- Não, mas em breve saberão, com certeza. Bom... entrei tão rápido no quarto, atrapalhei vocês em alguma coisa?
- Não, - respondeu Dalila - estava escrevendo um artigo para a revista.
Alex se levanta e vai em direção da escrivaninha pegar o artigo que Dalila escrevera. Dalila no mesmo tempo como estava mais próxima da escrivaninha pega o artigo e leva para trás do corpo.
- Não tem nada aqui querido, vamos descer e tomar aquele copo de chocolate que você adora e que só eu sei fazer.
Alex olha para Junior e acena com a mão apontando para as costas de Dalila.
- Você viu isso Junior? Ela escondeu o artigo de mim. Você sempre faz isso. Mas que mania essa sua de que ninguém pode ler o que você escreve antes de estar na folha da revista.
- Claro! Assim todo mundo compra a revista - Dalila pega na mão de seu irmão e leva-o para a escada - como você acha que eu pago tudo nessa casa?
- Essa direta é para você Junior você ouviu? - Alex grita da escada.
- Estou ouvindo, não sou surdo! Deixa-a voltar para a cama que acerto ela. - retruca Junior.
Os dois vão em direção da cozinha e passam pela ampla sala aonde apenas o quadro pintado com a foto da família está por pendurar em cima do buffet. A sala tem 5 portas sendo uma de entrada e as outras dando para os cômodos que interligam a sala e no meio a escada que leva para os aposentos. A casa é grande para um casal. Mas nessa casa era aonde se realizaram as melhores festas que a cidade já tinha ouvido falar. Mas com a partida de Alex para a cidade grande a casa perdeu um pouco de vida. A casa herdada pelos irmãos era de seus avós que passaram para seus pais que hoje não estão em vida. No andar décima dos 6 aposentos que existia apenas 2 estavam em uso, a do casal que lá morava, e do outro irmão que lá passava alguns finais de semana.
Eddie, advogado, alto, era o mais velho dos três, não lembrava nem um pouco nenhum dos dois, era o mais sério de todos, falava pouco, não era de ter muitos amigos e sempre observava Alex o irmão mais novo com zelo. Dalila era a irmã do meio, mas era como se fosse a primogênita, cuidava dos dois como se fosse uma mãe, a mãe que Alex conheceu muito pouco pois uma triste tragédia a tirará de sua vida quando ele completava apenas 4 anos. A tragédia perturbou Eddie por muito tempo, foram anos em psicólogos, ele nada fala sobre o acontecido que levou seu pai e sua mãe para outro plano. Os 3 cresceram com ajuda dos tios que passaram a morar pela redondeza. Passaram alguns anos, 18 no total, depois que o acidente de carro aconteceu.
- Bom, o que temos para comer aqui nessa casa? - pergunta Alex abrindo a geladeira.
- Tem tudo o que você gosta ai! Mas não estávamos esperando você. Por que você não ligou avisando?
- Assim não tem graça! - ele ri olhando para Dalila - Quase peguei vocês dois na cama! Hahahahahaha!!
- Mentira, estava escrevendo um artigo!!
- O que temos aqui?! Deixa-me ver... quem fez esse bolo aqui? Com certeza foi a empregada.
- Seu bobo - Dalila solta um singelo sorriso - por que eu não saberia fazer um bolo?
- Com certeza não! Bom, você está demorando demais com esse chocolate.
Dalila fica sem reação, parada, apenas olhando o que os anos mudou em seu irmão e repara que ele ainda é a mesma pessoa que saiu pela porta a quatro anos atrás para tentar e vida na cidade grande.
- Hey!
Alex fecha a geladeira e fica olhando para Dalila que parece estar hipnotizada.
- Hey! O que foi!?
Dalila sai do transe que se encontrara.
- Desculpa... não foi nada. Estava apenas olhando como você cresceu. Está mais bonito! Só tinha noticias suas se fosse pela TV ou te via apenas quando um filme era lançado. Por que você não ligou todos esses anos? Estava preocupada. Eddie também estava.
- Ele ainda existe?! - Alex abre a geladeira novamente e tira um pote de creme de amendoim - essa mala ainda existe?
- Não fale assim de seu irmão. Ele te ama. Esses anos não te ajudaram nada em relação a ele.
Alex se vira para Dalila e bate o pote de creme no balcão da cozinha.
- Você não vai começar? Ou vou ter que viajar realmente para um lugar longe... curtir, você sabe?!
- Não, desculpe. Desculpe-me, mais cedo ou mais tarde você vai bater de frente com ele. Ele mora aqui, você se esqueceu??
- Não, não me esqueci. Bom, meu quarto continua no mesmo lugar não é? O papo começou a ficar chato, vou dormir.
Ele pega o prato com o pão e abre a geladeira novamente para pegar uma caixa de suco e sai em direção a porta.
- Alex, é melhor você ficar no quarto de hospede. Amanhã a empregada arruma seu quarto com lençóis limpos para você.
- Sem problema, boa noite! - Alex beija a testa da irmã e vai para sala.
Dalila fica olhando seu irmão indo em direção da escada, vira-se e apaga a luz da cozinha. Certifica-se de a porta está fechada e sobe para seu quarto.
No alto da escada Alex ouve Junior falando ao telefone, com alguém e só consegue ouvir claro a frase finai dele "Preciso desligar amor, ela está subindo! Beijos". Alex entra no quarto do casal e sorri para Junior....
Junior fica olhando espantado para Alex parado sorrindo para ele.
- O que foi Junior?! Te assustei de novo? Bom, vim desejar boa noite, estou feliz em revelo.
Junior se sente aliviado e em frações de segundos entra Dalila no quarto.
- Vamos dormir amor? - pergunta Junior para Dalila - Já nos assustamos demais por essa noite hein? Agora é hora de relaxar.
Alex sai e fecha a porta deixando o casal sozinho e vai para o quarto de hospede.
- Não Junior, preciso acabar o artigo antes. Pode ir dormir, não precisa esperar por mim.
Junior se vira e se cobre soltando um "ta bom!" bravo para Dalila e apaga o abajur de seu lado.
- Boa noite querido. - diz Dalila.
O silencio paira no quarto, sem resposta Dalila volta a escrever o artigo.

postado por: ANDRÉ LUIZ 11:28 PM




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